Apresentação

ESTUDOS CULTURAIS E TURISMO CULTURAL

A investigação apresentada no INVTUR 2012 teve o intuito de discutir as contribuições dos Estudos Culturais (EC) ou Cultural Studies na análise do Turismo Cultural (TC), visando compreender as questões referentes à cultura, ao património cultural, aos aspetos identitários e à globalização. 
(Adriana Brambilla, Publicado em  RT&D nº 17/18/2012)

RESUMO DISPONÍVEL EM:

SLIDES DISPONÍVEIS EM:
http://ufpb.academia.edu/ADRIANABRAMBILLA/Talks/84764/AS_CONTRIBUICOES_DOS_ESTUDOS_CULTURAIS_NA_ANALISE_DO_TURISMO_CULTURAL

INVTUR, 2012
Foto: revistacet, 2012





Adriana Brambilla apresentando trabalho sobre Estudos Culturais e Turismo Cultural, INVTUR, 2012
Foto: revistacet, 2012


Adriana Brambilla, Dr. José Cunha Barros (chair da sessão), que além de ser um renomado antropólogo, nos encanta com sua gentileza e atenção, e  Uiara Martins que apresentou um trabalho interessantíssimo e apetitoso sobre gastronomia,  INVTUR, 2012
Foto: revistacet, 2012

Marketing e Patrimônio Pessoal

A história pessoal, a qual denomino de patrimônio pessoal, é uma tendência e foi bem exemplificada no anúncio  da Casa Kopke, em que vários acontecimentos mundiais são citados até chegar a "comemore sua história pessoal". Uma pequena correção: citam os irmãos Wright e não Santos Dummont.

Adriana Brambilla

Do patrimônio mundial ao pessoal



Atualmente o patrimônio tem alcançado uma importância cada vez maior, desde a conquista de sua proteção, passando pela adição do patrimônio imaterial, e agora a tendência do patrimônio local. A valorização das tradições, dos costumes, dos hábitos mais simples vem ganhando apoio da população, e principalmente partindo dela. A própria comunidade vem compreendendo a riqueza de seus valores e atribuindo um papel fundamental em suas histórias pessoais. Enquanto pesquiso o enoturismo em Portugal, noto o quanto isto é verdade e o quanto este fenômeno vem crescendo, enquanto visito os locais de pesquisa e observo o comportamento dos turistas, fica evidente o fascínio que o patrimônio local exerce sobre os visitantes e fico emocionada ao ver a satisfação dos locais em explicar e contar as histórias de suas famílias, de suas propriedades e de seu trabalho, a que denomino de patrimônio pessoal, uma característica típica do turismo de experiência e da busca do ser humano pela pequena história.



Adriana Brambilla

Líder do GCET

Alcachofra roxa de São Roque: turismo no meio rural e gastronomia em São Roque-SP - análise preliminar

Sandro Marcelo Cobello
 Pós-Graduado Gestão Mercadológica em Turismo e Hotelaria – ECA/USP – SP
Pós-graduando MBA Economia e Negóciso do Turismo – FIPE-FEA-USP – SP
Chefe de Divisão de Turismo da Prefeitura de São Roque – SP

Resumo

O projeto analisa a gastronomia no meio rural da Estância Turística de São Roque onde a alcachofra roxa de São Roque (Cynara Scolymus L.), exótica flor de origem mediterrânea introduzida pelos imigrantes italianos no final do século XIX, está se destacando e possibilitando a divulgação da gastronomia local.  Nos últimos anos os restaurantes da Estrada do Vinho através da elaboração de pratos à base da alcachofra estão se firmando como nova opção da gastronomia no meio rural, com aumento do fluxo de turistas. Outros fatores sobressaem - realização da festa do produto em Outubro denominada Expo São Roque – alcachofras e vinho; elaboração de novos produtos para agregação de valor; sítios produtores abrindo para visitação das plantações de alcachofra, mídia espontânea e divulgação nas principais feiras e eventos de turismo do país.

Palavras chaves: alcachofra, gastronomia, São Roque, turismo no meio rural.

“Alcachofra roxa de São Roque”: tourism in rural áreas and gastronomy of São Roque – preliminary looks

Abstract

The project looks at food in the middle of the tourist areas of San Roque where the purple artichoke Church (Cynara scolymus L.), exotic flower of Mediterranean origin introduced by Italian immigrants in the late nineteenth century, is emerging and enabling disclosure the local cuisine. In recent years the restaurants of the Wine Route through the elaboration of dishes based on the artichoke is establishing itself as a new option of food in rural areas, with increased flow of tourists. Other factors stand out - the party carrying the product in October called Expo Museum - artichokes and wine development of new products to add value, the dairy farms open to visitors plantations of artichoke, media and spontaneous release in major trade fairs and events tourism in the country.

Key words: artichoke, gastronomy, São Roque,tourism in rural areas.


Introdução –São Roque e o cultivo da alcachofra roxa


São Roque, cidade de médio porte, localizada à 60 km de São Paulo, com população estimada em 70 mil habitantes sempre obteve destaque na área rural e o cultivo de uva e produção de vinho a tornou conhecida no estado de São Paulo como a Terra do Vinho. A chegada dos primeiros imigrantes italianos por volta de 1890 para exercerem funções na Indústria Têxtil Brasital, muitos deles de origem camponesa, além de trabalharem na fábrica foram os responsáveis pela introdução de técnicas agrícolas e aperfeiçoarem o plantio de uvas e a produção de vinho na cidade, que em pouco mais de 40 anos transformou-se num dos maiores produtores de vinho do estado de São Paulo. (SANTOS 1938)
Paralelamente a isto os imigrantes italianos introduziram o plantio de algumas culturas tradicionais do seu país, dentre as mais destacadas foi a alcachofra que devido a diversos fatores como estações do ano bem definidas, com invernos não tão rigorosos e verões amenos, altitude média da cidade em torno de 700 metros, propiciou o seu cultivo.
De origem Mediterrânea (Norte da África e Sul da Europa), a alcachofra (cynara scolymus L.), é da mesma família das margaridas e dos girassóis (DI GIULIO 2005), integra os pratos mais requintados da gastronomia internacional. A alcachofra é comestível no período em que se encontra no estado de inflorescência, mais comumente chamado de botões. Da flor são consumidas as partes mais carnudas da pétala, o miolo comumente chamado de fundo e a parte interna dos talos. 
Segundo dados da Food and Agriculture Organization oh the United Nations (FAO 2005), o Brasil não consta entre os maiores produtores de alcachofra, tendo o ranking países como Itália, Espanha, Argentina. O cultivo no Brasil ainda é restrito a pequenas áreas em regiões próximas da grande São Paulo (Piedade, Ibiúna e São Roque), norte do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, sendo a cultivares que consegue o melhor valor comercial e mais plantada é a denominada Roxa de São Roque, (SEBRAE/MG 2005), a coloração de suas pétalas são de cor roxa, obtidas pelos produtores ao protege-las do sol, ensacando os botões com sacos de papel ou jornal usado. A alcachofra possui uma safra bem definida durante o ano, de final de agosto até final de novembro. Atualmente existem técnicas naturais na aplicação de hormônios conseguindo produzi-las em períodos diferenciados. (MALUF 1998)
Os referenciais para análise deste projeto foram extraídos de livros de turismo no meio rural, de gastronomia e dos principais textos encontrados através de pesquisa realizada pela internet relativa a turismo rural e alcachofra.
Atualmente existem dez propriedades direta ou indiretamente ligadas a alcachofra em uma de suas etapas – cultivo, venda in natura, fabricação de conservas, gastronomia, etc. A pesquisa qualitativa aconteceu com estas propriedades e foram levados em conta os seguintes dados para esta escolha – sua localização na Estrada do Vinho, participação dos proprietários na Expo São Roque 2009  e os estabelecimentos estarem vinculados a alguma associação representativa, em São Roque por não existir uma associação voltada ao turismo rural foi escolhida o Roteiro do Vinho, Gastronomia e Lazer criado em abril de 2006 e reúne aproximadamente vinte e sete estabelecimentos voltados ao turismo. Ao final do levantamento foram os seguintes estabelecimentos que se encaixaram na metodologia de pesquisa – Conservas Bom Sucesso, Cantina Tia Lina e Doces Caseiros Santa Adélia.
Desenvolvimento - Início do desenvolvimento da alcachofra, opção no turismo rural de São Roque e a divulgação da gastronomia local

A cidade de São Roque foi elevada à categoria de Estância Turística no ano de 1990, dando um importante passo para o desenvolvimento do turismo na cidade, que há muitos anos já registrava um número de turistas que visitavam as vinícolas existentes para compra dos tradicionais vinhos, feitos com uvas de mesa. Neste período o setor agrícola passava por alterações como mudanças climáticas e a valorização das áreas rurais pela proximidade de São Paulo, tornando-se inviável a produção de uva, sendo mais vantajoso a compra do produto em outras regiões, como Jundiaí e cidades produtoras de uva no Rio Grande do Sul como Caxias do Sul, Bento Gonçalves, dentre outras.
A alcachofra surgiu como opção de alguns produtores que substituíram parte de suas plantações de uva e iniciaram o cultivo desta flor exótica já cultivada com sucesso na região e com comercialização garantida em restaurantes da capital, Ceagesp, além de ser amplamente consumida por descendentes de imigrantes italianos na própria cidade.
Em 1993 realiza-se a 1ª Expofloral (Festa das Flores, Vinhos e Alcachofra), festa organizada durante três finais de semana do mês de outubro, numa tentativa de resgatar o apogeu das tradicionais Festas do Vinho que por mais de 50 anos trouxeram a fama da cidade como Terra do Vinho, cuja última edição foi em 1987. Inúmeros fatores como a falta de estrutura do recinto, grande número de visitantes que causavam tumulto e incidentes devido ao consumo excessivo de bebida alcoólica e grande parcela da população ser contra a realização da festa.
As principais diferenças entre a Festa do Vinho e a Expofloral foram a decoração do recinto com flores, área de exposição temática com arranjos florais, venda de flores e em segundo plano a divulgação e venda do vinho e pela primeira vez a inclusão da alcachofra com a comercialização do produto in natura , mudas e na praça de alimentação do evento os mais variados pratos típicos feitos com alcachofra – recheada, alho e óleo, vinagrete.
Nos primeiros anos a Expofloral foi realizada no Centro Cultural Brasital, antiga Fábrica Têxtil, local de arquitetura impar e com jardins bem cuidados, onde os turistas podiam não só visitar a festa como contemplar sua imponente construção.
Com o aumento do número de turistas e a necessidade de oferecer uma melhor infra-estrutura, o evento foi transferido em 1998, para um recinto maior, o Recinto da Cascata, local com características de pavilhão de eventos, mas com singular área de mata atlântica e cachoeiras. Foi neste período que iniciou um processo de perda da identidade devido a problemas entre a administração da festa a cargo da prefeitura e associações de produtores de flores. Nos anos de 1999 e 2000, mesmo sem a participação da associação dos produtores de flores, a administração municipal conseguiu manter o foco das flores, mas com a mudança da administração municipal em 2001 a festa iniciou um período de decadência, com muitas críticas de turistas acostumados com a decoração do recinto com flores. 
Concomitantemente, a realização da Expofloral, as vinícolas localizadas na Estrada do Vinho, após o asfaltamento dos aproximadamente onze quilômetros de extensão, iniciaram um processo de reformulação no atendimento aos turistas, com a inauguração de restaurantes, lojas de artesanato. Chacareiros e sitiantes da estrada foram criando atrativos para os turistas que já tradicionalmente compravam vinhos sendo inaugurado neste período - pesqueiros, lojas de artesanato, cantina italiana, pousada, loja de doces caseiros e alguns plantadores de alcachofra iniciaram a venda de seus produtos in natura com rústicas placas de “Vendemos alcachofra”.
No período de 1999 a 2004 quando a Expofloral perdeu sua identidade é que surgiu o maior desenvolvimento dos produtos derivados da alcachofra na Estrada do Vinho. Deste período que estabelecimentos comerciais se desenvolveram direta ou indiretamente com a venda de produtos a base de alcachofra – Conservas Bom Sucesso e Doces Caseiros Santa Adélia, Cantina Tia Lina.
Com os problemas da antiga Expofloral, em 2005 o evento passa a ser denominado Expo São Roque – alcachofras e vinhos, com a organização do  Sindicato da Indústria do Vinho e apoio da Prefeitura da Estância Turística de São Roque, desde então a cada ano o evento está se desenvolvendo e faz parte do calendário estadual de eventos e já recebeu recursos do Ministério do Turismo para sua divulgação.
Com diversos pavilhões para a venda dos vinhos e a alcachofra com uma área para a venda in natura e de mudas, workshop com palestras sobre o preparo da alcachofra por um chef e os três restaurantes da praça da alimentação tinham como principais produtos, pratos à base de alcachofra. A conserva Bom Sucesso, Doces Caseiros Santa Adélia e Cantina Tia Lina todos os anos se utilizam do evento como vitrine de seus produtos e recebam ano todo turistas em suas propriedades.

Conservas Bom Sucesso

O Sítio Cacique onde são produzidas as conservas Bom Sucesso foi anteriormente área de plantio de uva de mesa e nos áureos tempos produzia o vinho Cacique, marca da família e que encerrou suas atividades no início dos anos oitenta. Em 1999 a alcachofra foi cultivada pela primeira vez em parte da área do sítio, onde já se cultivavam legumes como abobrinha, berinjela, tomate. Todos dividindo até hoje o mesmo espaço com a uva de mesa, num dos mais nobres exemplos da perseverança da produção da uva na cidade.
No início do cultivo, a alcachofra era comercializada in natura no próprio sítio e também para feirantes da cidade e região que já se abasteciam de legumes produzidos no sítio. Em 2001, a proprietária iniciou a produção de conservas de legumes como abobrinha, berinjela, tomate seco. Quanto à alcachofra foram no início utilizadas as comumente chamadas de descarte, com pétalas disformes, sem valor comercial para venda em restaurantes e feiras, mas úteis na produção do fundo da alcachofra, depois de um processo de extração das pétalas e fibras.
O processo de produção da conserva de alcachofra é totalmente artesanal, no período da safra são contratadas várias pessoas para a extração das pétalas, deixando o fundo da alcachofra totalmente pronto para preparação que consiste na introdução do fundo da alcachofra no vidro, onde o mesmo é colocado em caldeirões de água fervendo para a primeira etapa. Depois de cozido, a água fervendo é retirada para adicionamento de dois tipos diferentes de tempero - água com sal e água com temperos especiais.
Com o sucesso das vendas e grande aceitação do mercado em 2007, a proprietária inaugurou uma loja com venda de seus produtos durante todo ano e possibilidade no período de safra dos turistas conhecerem a plantação de alcachofra e colher a flor no próprio local proporcionando grande sucesso e conseguido muita mídia espontânea nos principais meios de comunicação (Televisão, site de internet, jornais e revistas). Um vidro de conserva de alcachofra de 500 mililitros com aproximadamente sete fundos de alcachofra conseguem-se um melhor valor agregado com preço de venda em torno de R$ 15,00 (quinze reais), o patê de alcachofra criado pela proprietária e nos últimos anos grande sucesso é vendi por R$ 8,00 (oito reais) em vidro de 150 mililitros.
A conserva de fundo de alcachofra é revendida em lojas, mercados e restaurantes da cidade por preços que variam entre R$ 15,00 (quinze reais) e R$ 22,00 (vinte e dois).
Cantina Tia Lina

Antes do sucesso da Cantina Tia Lina, sua proprietária Lina Sguelia de Góes teve um passado que muito se espelha aos demais proprietários de vinícolas do município. Após um período de apogeu do vinho na cidade entre as décadas de 50 e 60, quando a cidade contou com pouco mais de uma centena de vinícolas (SANTOS 1958), diversos fatores como a não continuidade dos descendentes na produção, mudança de hábito dos consumidores, perda da qualidade, fez com que as vinícolas remanescentes passassem os anos 80 e início dos 90 por um período de estagnação e resgate da qualidade de seus produtos.  
Para auxiliar na renda da família, Lina esposa de sócio de vinícola, iniciou a comercialização de congelados e massas caseiras que aprendeu com sua mãe e avó de origem italiana, com destaque ao rondelli, lasanha, spaghetti, conchiglia e seu diferencial de sucesso - introdução de fundo de alcachofra em grande parte de seus congelados. Das primeiras vendas no próprio sítio, começou a vender na feira livre da cidade aos domingos e com a grande repercussão de seus produtos, recebeu o convite para participar da Expofloral com espaço na praça de alimentação com um restaurante com venda de massas e os mais variados tipos de alcachofra com toque todo especial de sua tradição italiana. Da feira para a festa e depois para abertura de uma pequena cantina em 2000 no seu sítio estrategicamente localizado no final da Estrada do Vinho foi uma conseqüência da qualidade e diferencial de seus produtos, onde a divulgação boca a boca até hoje é sua principal arma de sucesso.
A proprietária da cantina prefere incluir no seu cardápio a alcachofra no seu ciclo natural devido ao valor de mercado estar mais estável e no restante do ano utiliza o estoque de fundo de alcachofra armazenado no período de melhores preços da safra para acompanhar as massas e molhos feitos artesanalmente.
Com anos de existência a Cantina Tia Lina iniciou suas atividades em 1998 disponibilizando 60 lugares, após dois anos ampliou sua capacidade para 120 e atualmente conta com 180 lugares que aos sábados, domingos e feriados registram seus maiores movimentos, com freqüentes filas de espera que variam entre quarenta e noventa minutos.  Nova ampliação e reforma está sendo programada para atender melhor aos turistas e ampliar seu espaço para realização de casamentos e confraternizações.
A Expofloral continua sendo uma das principais formas para divulgação, onde tanto a cantina como seu estande receberam expressivo número de clientes e no ano de 2009 o espaço no evento contou com mais de quatrocentos lugares.
 Os valores médios gasto por pessoa durante o período em que são oferecida a alcachofra  alho e óleo, ao vinagrete, recheada gira em torno de R$ 35,00 (trinta e cinco reais), onde uma alcachofra alho e óleo é vendida com valores em torno de R$ 10,00 (dez reais), alcachofra recheada em torno de R$ 12,00 (Doze reais). Nos demais períodos o gasto médio por pessoa fica em torno de R$ 20,00 (vinte reais).
A região da Estrada do Vinho recebe visitantes com maior freqüência aos sábados, domingos e feriados no período diurno e vespertino, tendo um número reduzido no período noturno. Para maximizar seus rendimentos a Cantina Tia Lina, nos demais dias oferece a seus clientes os congelados que foram o início de seu sucesso, tendo na cidade pontos de venda em empórios, lojas de vinho e quitandas como também realiza buffet para festas e casamentos da cidade e região.
Por trabalhar com produto diferenciado e de qualidade, no período da safra da alcachofra está com muita freqüência participando de programas de televisão, revistas e jornais especializados em gastronomia.
Doces Caseiros Santa Adélia

Outro estabelecimento que apostou na alcachofra como diferencial é a Fazendinha e Doces Caseiros Santa Adélia que apesar de indiretamente se beneficiar da alcachofra, deve parte de seu sucesso a dois de seus principais produtos comercializados, pastel com recheio de fundo de alcachofra e conservas de alcachofra.
O sítio onde está localizado a Fazendinha Santa Adélia é propriedade de José Luiz Marchi Camargo, presidente do Comtur, Conselho Municipal de Turismo, filho de vinivinicultor. Com o fim do cultivo de uva logo depois iniciou a fabricação de biscoitos com recheio de goiaba que eram produzidos de forma artesanal por sua mãe, Adélia Marchi Camargo, já com grande aceitação do mercado. Com o início das atividades, a fábrica de doces Santa Adélia começou a receber interessados em revender o produto e se deslocavam até o sítio ficando encantados com a beleza do local e iniciaram as indagações em transformá-lo num local com venda de doces caseiros e conservas, lanchonete, opções de lazer para as crianças com play-ground, viveiros com animais domésticos, trilha na mata. A comercialização de pastéis com os mais variados recheios e devido a sugestão de clientes foi incluído o fundo de alcachofra aconteceu o grande fluxo de visitantes e turistas para apreciar este pastel com recehio inusitado. O recheio com fundo de alcachofra é muito parecido com o recheio de palmito, onde o fundo da alcachofra é picado em cubos, depois temperado, tendo sua venda e fama aumentada ano a ano. Pastéis com recheios normais como carne, palmito e queijo são vendidos a R$ 2,50 (dois reais e cinqüenta centavos), o pastel de fundo de alcachofra é vendido a R$ 3,50 (três reais e cinqüenta centavos) e nem por isto deixa de ser o mais vendido durante o ano e no período da alcachofra tem um grande salto nas vendas

Feiras e eventos de Turismo – a Alcachofra como destaque

Desde 2005, São Roque participa das principais feiras e eventos de turismo no país, o que possibilita a divulgação dos diversos atrativos da cidade como o Roteiro do Vinho, Sítio Santo Antonio, Ski Mountain Park e também a gastronomia da cidade através da alcachofra.
Em 2009 a Estância Turística de São Roque participou de uma dezena de eventos e feiras de turismo que contribuíram para divulgação dos atrativos turísticos da cidade e também das opções gastronômicas – na cidade de São Paulo - Salão São Paulo de Turismo; Salão Roteiros do Brasil, Feiratur – Feira Nacional de Turismo Rural, Adventure Sport Fair; Workshop da CVC; Fistur – Feira Internacional de Serviços e Turismo; no Rio de Janeiro – ABAV – Feira das Américas e Feira da Providência; em Gramado – Festival de Turismo de Gramado; Ribeirão Preto – AVIRRP.

Conclusão

A gastronomia no meio rural de São roque através da alcachofra possibilitou o aumento no fluxo de turistas e qualificou o Roteiro do Vinho, Gastronomia e Lazer. Os estabelecimentos que utilizam a alcachofra como diferencial contam com estratégias de divulgação de seus estabelecimentos -  participação no mês de outubro da Expo São Roque  - alcachofras e vinho, divulgação nas principais feiras e eventos de turismo que a cidade participa e mídia espontânea proporcionada ao fato da alcachofra ainda ser um prato da gastronomia a ser desvendada por parte dos turistas que visitam a Expo São Roque – alcachofra e vinhos no mês de outubro como durante o ano nos estabelecimentos levantados pela pesquisa.  



Referências bibliográficas –

Cobello, S.M. A alcachofra como novo fator de desenvolvimento do turismo no meio rural de São Roque-SP, In: Anais do V Citurdes. Santa Maria: FACOS-UFSM. 2006.
DI GIULIO, Gabriela. Ciência e Cultura, vol. 56 nº 2, São Paulo, 2004.
FAO. Food and Agriculture Organization oh the United Nations, 2005
LOPES, Célia. Pesquisa Qualitativa – Conceituação e Aplicação, São Paulo/SP: Escola de Comunicação e Artes – USP, Apostila Gestur, 2005.
MALUF, Wilson Roberto. Como plantar alcachofra, Lavras/MG: UFLA – bol. 11, 2004.
NORONHA, Daisy Pires org. Manual para apresentação de dissertações e teses, São Paulo: Escola de Comunicação e Artes - USP, 2003.
SANTOS, Joaquim Silveira. São Roque de Outrora. São Roque: O Democrata, 1938.
SILVEIRA SANTOS, Paulo. Dois monumentos Seiscentistas em São Roque. São Roque: O Democrata, 1958.

Primeiras Jornadas Doutorais em Estudos Culturais

As Políticas Culturais Públicas, vigentes sobretudo em Portugal e na Europa, vão ser alvo de análise nas Primeiras Jornadas Doutorais em Estudos Culturais, a realizar no Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro, nos dias 12 e 13 de abril. Os interessados na temática podem submeter comunicações ou posters até ao dia 5 de fevereiro.
As Jornadas pretendem contribuir para o enriquecimento e a democratização do debate em torno das «Políticas Culturais Públicas», em Portugal e na Europa, mas recolhendo também aportes de espaços não europeus, como é o caso do Brasil, onde se regista uma forte tradição académica e cívica de discussão das políticas e práticas culturais públicas.

A organização convida a comunidade científica e académica, bem como os agentes e decisores culturais e políticos, para além de toda a sociedade civil, a participarem nos trabalhos e/ou a apresentarem uma proposta de comunicação ou poster até ao dia 5 de fevereiro, para o endereço de correio eletrónico: dlc-cultura-politicaspublicas@ua.pt
Esta primeira edição das Jornadas é promovida pelo Programa Doutoral em Estudos Culturais, lecionado em parceria pelas Universidades de Aveiro e do Minho.

Mais informações podem ser consultadas no endereço: http://cultura-politicaspublicas.web.ua.pt/

Tourism and the economy of dreams

Adriana Brambilla

Tourism plays a significant role in the global economy with the job creation, ,the multiplier effect on the economy, the contribution to Gross Domestic Product , among other things Recently tourism has emerged and found many opportunities in so-called economy of dreams. According to Pine and Gilmore (1999), the economy of Dreams, also called the experience economy, is characterized by presenting four factors: education, entertainment, aesthetics and involvement. By analyzing these factors from the point of view of tourism, we realize that this economy is a great opportunity for the further development of tourist areas. Tourism enables tourists to education, ie, the activities offered allow some kind of learning, even if the travel is for leisure purposes only; the entertainment that can be understood as a moment  to travelers  "breaking the routine," to relax.; the aesthetic that we can understand how the appearance, packaging, and in the case of tourism the natural landscapes and the historical monuments, for example; and the involvement that  can be seen as the growing interest of tourists in the know and join the reality of the place visited Therefore, we can perceive through literature and of  reports of tourists and of the tourism trade., the importance of tourism in the economy of dreams. It is essential to observe the needs of tourists and take advantage of tourism opportunities to increase its participation in the economy and the development of tourist areas.

Versão em Inglês
WINE TOURISM AND CULTURAL HERITAGE


Brambilla, Adriana

Abstract

Based on the understanding that tourism is an activity of great growth around the world, it’s possible to see its impact in places where it has developed haphazardly and without a sustainable management. In this case we can see the mass tourism, generally characterized by broad dissemination and little concern for infrastructure, protection of natural and cultural resources and with outcomes for local people. Contrary to this, some tourist segments for their own goals and profiles of tourists can generate benefits in a sustainable way for the receiver core. As an example we can mention the wine tourism. It may be noted that one of the main goals of wine tourism is to experience the local reality. Tourism activities linked to wine production for many countries are now alternatives for regional development. Dolgner and Costa (2003) explain that "the wine tourism, coupled with a marketing strategy, will have as primary objective the promotion of regional development in a perspective economic, social, cultural and environmental" Thus, this study intends to discuss wine tourism as a way innovative preservation of cultural heritage to be developed in destinations where you have the winemaking. To achieve the objective of this research literature searches were made in books, websites, scientific journals, in order to perform an initial exploratory study, which will continue in a doctoral program. The concept used in this paper for cultural heritage is that of Boyd (2002, p. 213) for presenting the entire breadth of the term, considering that "heritage should be divided into: natural (places of extraordinary beauty), culture (customs), industrial and personal (issues that have meaning to a person or group of persons) and also proposes that the forms of recreational tourism practiced within a heritage property, whether natural or cultural, are classified as cultural tourism. " The wine tourism, according to Hall and Sharples (2003), can be defined as the visit to the wineries, the wine festivals, the shows, in order to taste the wines produced in these regions visited. Costa (2009) adds that these activities, as the experience of watching the manufacture of wine, try out the different types of wines produced in a given region, taste the local cuisine and learn about the customs regionally is a special form of direct contact with the culture. According to Inácio and Cavaco (2010), "wine tourism has emerged after the Second World War, with visits to cellars and wineries, but only in the nineties, the phenomenon appears to be autonomous". Tourism has been divided into several segments and niches in order to meet consumer expectations. As a result of this division, has been the emergence of various tourism products that will not only adapting to the demand, but also the characteristics of the local, which has enabled the implementation of tourism activities in various locations, not just in large urban centers or in places of sun and sea. Regions before, from the point of view of mass tourism, without any tourist attraction have become highly attractive for tourism, after the definition of tourist segments. According to Oliveira (2003) the specificity of wine tourism lies in rural areas, especially in less developed regions, their place of development, since these areas retain their original features. The wine tourism to arouse interest in local heritage contributes to the conservation of buildings, history, crafts, food, among others. An example is the Biltmore House in North Carolina, United States, a house, with 250 rooms, that now has its main source of income from the wine tourism and gastronomic tourism. As a result, tourism has been a factor of economic revitalization and of cultural affirmation. (www.furb.br). According to Oliveira (2003), one of the great attractions of wine tourism is the high average daily spending of tourists, and the fact that wine tourist seek to know places that have retained the characteristics and ethnographic authenticity, encouraging the protection of traditions and the environment as a means of perpetuate tourism. By valuing these populations, encourages the preservation of national heritage, enables the active community participation in the organization of tourist activities and the insertion in the labor market. Keywords: wine tourism, culture, preservation

References

CAVACO, Carminda e INÁCIO, Ana Isabel. Enoturismo em Portugal: forma de desenvolvimento regional e afirmação cultural local. Revista Turismo e Desenvolvimento. Nº 13/14/2010. Vol.2.
COSTA, A; DOLGNER, R. O enquadramento legal do Enoturismo. 1º Encontro do Turismo em Espaço Rurais e Naturais. Escola Superior Agrária de Coimbra, 2003  COSTA,Ewerton Reubens Coelho. Enoturismo retomando o culto a Baco através do turismo. eGesta, v. 5, n. 3, jul.-set./2009, p. 27-38eGesta - Revista Eletrônica de Gestão de Negócios da Universidade Católica de Santos HALL, M., SHARPLES,L The Consumption of Experiences or the Experience of Consumption? An Introduction to the Tourism of Taste In Hall, M. et al. Food Tourism Around the World. Oxford: Elsevier,2003
OLIVEIRA, Simão Pedro Ravara de. O Turismo Gastronômico e o Enoturismo como potenciadores do Desenvolvimento Regional. Escola Superior de Tecnologia do Mar - IP

www.jornaldeturismo.com.br. < acesso em 30/03/2010>  www.gastroonline.com.br < acesso em 05/04/2010>
www.furb.br < acesso em 05/04/2010>


Versão em inglês

Marketing Turístico em debate

Esta notícia é excelente para um estudo de caso sobre a publicidade no Marketing Turístico.


A campanha de promoção turística da região do Alentejo que foi lançada em Espanha está a gerar um forte movimento de protesto na blogosfera e nas redes sociais, com destaque para o Facebook, e já levou até a uma petição pública com vista a retirar esta campanha.
Sob o mote "Conquista El Alentejo", a campanha mostra imagens de uma bandeira espanhola hasteada no areal de Tróia, e está a ser massivamente divulgada em cartazes numa série de cidades espanholas, como Madrid ou Barcelona.
Comparticipar as deslocações dos espanhóis

Lançada a 15 de junho pela Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo (ARPTA), a campanha "Conquista El Alentejo" também comparticipa os custos de combustível associados às deslocações dos turistas espanhóis na visita à região portuguesa, através da oferta de "vouchers" que podem ser utilizados em postos da Galp.
Já foi lançada uma petição pública contra a campanha "Conquista el Alentejo", no site www.peticaopublica.com , onde se alega que esta dá a imagem que "somos simples e colonizáveis" e enfatiza que "dependemos fortemente do turismo, mas temos muito mais para mostrar".
O presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, Vitor Silva, classifica como "ridícula" a petição pública online cujo apelo vai no sentido de retirar a campanha.
Em novembro, está prevista uma segunda fase da campanha em Espanha "Conquista El Alentejo", que envolve investimentos globais de €300 mil na sua maioria públicos, e com uma comparticipação de €100 mil de privados.




Europa das Nacionalidades

Foi uma ótima oportunidade participar do Congresso Europa das Nacionalidades ocorrido em maio na Universidade de Aveiro. Foram mais de 50 mesas que debateram temas diversos tendo como base os Mitos de Origem e as Narrativas Fundadoras Européias. A Comissão Executiva foi presidida pela professora Doutora Maria Manuel Baptista, com a presença de pesquisadores de várias partes do mundo.


Participação expressiva dos Doutorandos
 em Estudos Culturais da UA-UM
Foto: revistacet, 2011


A professora  Brambilla (UFPB) membro da
 Comissão Científica
com apresentação de  trabalhos
 sobre turismo religioso e enoturismo.
Foto: revista cet , 2011


Mesa sobre gastronomia e vinho com a participação  da  SenhoraOlga Cavaleiro,
Grã-mestre da Confraria da Doçaria Conventual de Tentúgal (CDCT),

 do Presidente da Associação dos Ovos Moles de Aveiro, Sr. José Francisco, 
 da Srª Uiara Martins,  da Srª Adriana Brambilla e do Sr. Pedro Lapa.  
Fonte: revista cet, 2011


Prêmio

O Professor David Callahan do Departamento de Línguas e Culturas (DLC) da Universidade de Aveiro foi galardoado este mês com o prémio McRae Russell da Association for the Study of Australian Literature para «a melhor obra sobre a literatura australiana dos últimos dois anos». O prémio refere-se à monografia «Rainforest Narratives: The Work of Janette Turner Hospital», publicada em 2009 pela University of Queensland Press.

Fonte: UA, 2011

Redes Sociais


As Redes Sociais e os novos hábitos culturais dos consumidores na comunicação mercadológica do século XXI1
AZEVEDO, Mitchell Figueiredo de
Instituto de Educação Superior da Paraíba - IESP
Especialista em Marketing. Professor do curso de Publicidade e Propaganda do IESP, email: mitchellazevedo@hotmail.com

SILVA, Patrícia Morais da
Universidade Federal da Paraíba- UFPB
Mestre em Sociologia. Professora do Decomtur/UFPB ¡V habilitação Relações Publicas, email: patriciamoraisrp@gmail.com
Trabalho publicado na Revista Temática em Junho de 2010 ¡V Ano VI, n.06


RESUMO
Com a rápida expansão da internet e as transformações nas camadas sociais, foi dada ao consumidor contemporâneo a oportunidade de ser visto de maneira diferenciada pela grande maioria das empresas globais ou não. A possibilidade de novos negócios, a divulgação da marca, a inovação dos produtos, alem do contato direto com o consumidor on line, trouxe ao mercado mundializado e, inevitavelmente aberto ao modismo das inúmeras redes sociais, um novo pensamento sobre as estratégias de alcance deste consumidor. Neste artigo vamos analisar esse movimento e entendermos sobre a tendência groundswell que invade a internet, por meio das redes sociais, que transforma o conteúdo produzido pelos consumidores em receita para as empresas se manterem ativas no mercado e aponta para uma nova era na comunicação empresarial.
PALAVRAS-CHAVE: neoconsumidor; redes sociais; groundswell; comunicação empresarial.

A Comunicação Organizacional e as tendências midiáticas
Os tempos já são outros, não só pela mudança natural dos conceitos de sociedade, como também mudaram as formas de comunicação exercida pelas Organizações contemporâneas que diferentemente das décadas de setenta e oitenta contavam apenas com os veículos de massa para divulgarem seus produtos, sem que não tivessem que se preocuparem com as insatisfações dos consumidores daquela época.
Com o advento da Internet, a popularização crescente dos computadores, bem como a expansão acelerada da banda larga a sociedade moderna, segundo Moraes, (2006) dá indícios de não sobreviver sem as maquinas que atualizam a existência em frações de segundo, trata-se um campo sem fronteiras mergulhando a sociedade em
delírio espacial, no qual o ciberespaco esta configurado por uma digitalização de redes que convergem em linguagem uniformizada pelos dados, pelos sons e pelas imagens. Nesse sentido, Bueno (2003) afirma que, a nova economia digital pretende obedecer a outros parâmetros, e, certamente [...] revolucionara não apenas os processos de gestão, mas a própria comunicação empresarial.
Nesse momento e importante observar que as empresas devem perceber as novas formas de pensar sua atuação mercadológica, uma vez que a comunicação bem como a visibilidade empresarial obtém novos contornos midiáticos, à medida que, pessoas e grupos de pessoas ganham autonomia para exprimirem suas opiniões, sentimentos, crenças, impressões acerca de tudo aquilo que provem das empresas, segundo Montardo e Carvalho (2009 p. 154):
A participação crescente do consumidor na produção e distribuição de informações e de opiniões a respeito de produtos, serviços e marcas na web e, em função disso, na sua atuação na concepção destes, e uma constatação que tem desafiado as competências das áreas de comunicação e marketing.
Podemos perceber que estamos inseridos em um contexto socio-politico-economico de realidade no qual a informação, os produtos, as marcas ou mesmo as pessoas em suas relações sejam estas de cunho privado ou publico devem, em sua essência agregar valor e este só será alcançado se houver um processo de comunicação continua e de retroalimentação gerando um mercado de consumo garantido.
O consumidor e as novas tendências cibernéticas
Ao longo de décadas grande parte dos consumidores desejaram um espaço para poder se expressar, colocar idéias, fazer reclamações, trocar informações sobre produtos e serviços, entretanto, isso só foi efetivamente viável com a expansão da internet e, naturalmente, apos a crescente onda das redes sociais. Nos anos 2000, surge um consumidor muito mais exigente que outrora, pois alem da consciência da legislação protetora dos seus direitos e o favorecimento de uma concorrência empresarial, a web oferece ao mesmo o poder de funcionar como uma mídia, considerando que e possível as pessoas se unirem e promover uma ampla troca de informações sobre tudo referente aos produtos que o cercam.
Diante deste cenário entendemos que cabe um questionamento; Como a percepção dos integrantes de uma rede social pode modificar as estratégias de criação e de divulgação de um produtos ou serviço?
A todo o momento e possível descobrir o surgimento de uma nova rede social na internet, a qual entendemos como uma forma representativa das relações afetivas ou ainda, profissionais de um determinado grupo de pessoas com interesses convergentes e que, em nuvem, tornam-se compartilhadores de valores idéias e objetivos comuns. Desta maneira um grupo de discussão e, em larga maioria, composto por elementos de identidade cultural relativamente semelhante, o que possibilita uma aceleração do processo de divulgação e, naturalmente, absorção dos elementos expostos na internet.
Os neoconsumidores estão ainda mais fortes com as informações que provem com muita velocidade da internet, sobretudo aqueles conectados as redes sociais. Essa mudança de comportamento on line, e chamado de groundswell que no entendimento de Li (2009, p.10), e uma tendência social na qual as pessoas usam a tecnologia para obter o que desejam uma das outras, e não com instituições tradicionais como as corporações. Entendemos que se trata de um encontro de três forcas que movem todo um sistema de sobrevivência mercadológica: as pessoas, a tecnologia e os aspectos financeiros.
Movimentos dessa natureza são facilmente encontrados na internet, por exemplo: em sites como eBay o consumidor compra produtos de outro internauta e não de uma loja, o Linux e um sistema operacional desenvolvido por engenheiros que trabalham sem vínculos com nenhuma grande Companhia de software, no YOU TUBE e possível publicar seus próprios vídeos (o que e uma forma de gerar conteúdo) ou seja, será que as empresas estão se deparando com uma desconexão com seus consumidores? As redes sociais representam uma realidade e não um mero movimento passageiro na qual as empresas precisam ter um contato mais próximo com seu consumidor a fim de continuar no jogo mercadológico. Para Li (2009, p.13), no mundo off-line, as pessoas não mudam de comportamento rapidamente, e as empresas podem desenvolver clientes reais. No mundo on-line, as pessoas mudam de comportamento tão logo observem algo melhor.Por isso e necessário que as empresas mantenham-se integradas e conectadas ao desenvolvimento do comportamento deste neo consumidor.
O fácil acesso as ferramentas de edição e criação de texto, áudio e vídeo nos computadores caseiros permitem a todos que disponham de interesse a inclusão no mundo cibernético, nesse sentido, Levy (1999, p.129) diz que, a maioria das comunidades virtuais estrutura a expressão assinada de seus membros frente a leitores atentos e capazes de responder a outros leitores atentos.¡ü Entendemos que esta maneira de interação entre as pessoas trata-se de formas alternativas de opinião publica, à medida que, blogs (diário pessoal ou em grupo) pode conter opiniões, links e fotografia ao mesmo tempo podemos criar podcasts e fazer distribuição desses arquivos em sites como o iTunes (Apple).
As redes sociais avançam pela internet na mesma proporção que as ofertas dos produtos e aquela velha conceituação de públicos se rende aos conceitos mais amplos que o ciberespaco nos impõe, uma vez que a internet nos convida freqüentemente para um dialogo muito mais ampliado, mais democrático, mais distribuído, onde os fluxos de interesses mútuos transitam com muita velocidade que nas mídias de cunho tradicional. Nesse sentido, Levy (1998), afirma que a participação em comunidades virtuais serve de estimulo a formação de inteligências coletivas, nas quais os indivíduos podem recorrer para trocar informações e conhecimentos.
Um exemplo do nosso cotidiano e o Twitter, o qual nasceu sem muitas pretensões, tendo por objetivo o envio de micromensagens, tendo estas por finalidade relatar o cotidiano das pessoas que frequentassem o microblog. Hoje em dia e perceptivel o grande numero de usuarios devido ao seu poder de alcance e repercussao, não somente as pessoas dos mais variados meios, como também as empresas dos mais variados segmentos seguem essa tendência, conforme avalia Levy (1999, p.130), ¢w o apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relacao humana desterritorializada, transversal, livre.¡ü Entretanto, o mais importante não e apenas dispor de um perfil, e sim, saber criar situacoes que impliquem na participação do internauta contribuindo para o relacionamento mutuo.
Ha bem pouco tempo assistimos ao surgimento do Meme da Yahoo e do Google Buzz, este ultimo traz em sua estrutura uma mescla do Twitter com Facebook, Foursquare e FriendFeed, imediatamente atrelado ao Gmail, exige do interessado possuir uma conta de email no Google para que haja o acesso ao Buzz. E importante salientar que o principio do Buzz e o mesmo do Twitter, ou seja, a pessoa segue e e seguido por outros usuarios. Em cada mensagem dos seus seguidos e possível fazer comentarios sobre o escrito. Tambem e possível enviar a mensagem por e-mail e, por fim, caso tenha ativado o GTalk, pode-se comecar um bate-papo entre usuarios do serviço. Interatividade e a palavra de ordem.
As novas tecnologias para entender a mente do consumidor
Diariamente somos bombardeados por milhares de mensagens publicitarias, as quais estão bem abastecidas por um texto persuasivo e cores contagiantes, tudo para seduzir o consumidor ao consumo. Entretanto, o consumidor contemporâneo não deixa se levar em um primeiro momento, ele deve se sentir realmente motivado para realizar uma nova compra.
Observando esse fenomeno comportamental do consumidor e possível questionar se as pesquisas tradicionais de marketing ainda servem como efetivo referencial no lancamento de um produto ou serviço, áreas como a neurociencia, e ate mesmo a antropologia estão em alta quando o assunto e compreender os desejos dos consumidores. Segundo Lindstrom, (2009, p.13) ¢wO neuromarketing e a chave para abrir o que chamo de nossa ¢wlogica de consumo¡ü - os pensamentos, sentimentos e desejos subconscientes que impulsionam as decisoes de compra que tomamos em todos os dias de nossas vidas.¡ü Naturalmente, o neuromarkting não e a resposta para tudo, ate mesmo por se tratar de uma ciencia bem recente, estando ainda limitada pela compreensao do cerebro humano. E necessário que entendamos que o neuromarketing tem o proposito de contribuir com a ciencia, conforme Lindstrom (2009, p.14), ¢wtrata-se simplesmente de um instrumento usado para nos ajudar a decodificar o que nos, consumidores, já estamos pensando ao sermos confrontados por um produto ou marca.¡ü Afinal, o papel do consumidor na sociedade e cada vez mais presente e a forma de relacionar-se com ele pode se tornar um diferencial competitivo de muito valor para as empresas.
A revista HSM (2010, p.70) traz uma materia, em sua edição de Janeiro, que mostra como a antropologia se preocupa em estudar o consumidor por meio da ¢wciencia da observacao de Underhill, remete a uma tecnica de pesquisa entnografica, em que o pesquisador observa seu objeto de estudo em seu habitat natural, como as lojas e a sua casa¡ü afirma o professor da Fundacao Armando Alvares Penteado (FAAP)
E importante ressaltarmos que os fatores economicos em escala mundial, a constante inovação tecnologica e a grande quantidade de ofertas mercadológica, sobretudo no varejo do mundo ocidental abriram as portas a uma nova concepção de consumo que esta redesenhando modelos de mercados e, evidentemente fazendo nascer novas formas de consumo em todos os setores. Diante do cenário poderiamos dizer que já não são as empresas que fixam prioridades, mas sim os consumidores e, da mesma forma, entendemos que as escolhas dos consumidores estão baseadas em respostas emotivas, de forma geral inconsciente e não intelectual.
A publicidade de massa e posta em xeque, no momento em que se descobre que, em sua maioria as mesmas estão apenas ¢wgrintando¡ü com o consumidor. Na atualidade e dificil para os profissionais de marketing estabelecerem formas de alcancar o target, e e aproveitando-se desse gap que as redes sociais impulsionam a dinamica do processo de divulgação de um produto ou serviço, afinal, e natural que haja um aprendizado mutuo entre as pessoas, havendo ainda, a influencia natural que as redes impoem entre seus frequentadores, ocasionando a diluicao do valor do marketing tradicional. E frente a esse processo ciberevolutivo que surge um horizonte de demarcacoes de espacos, onde nele se posiciona a soberania do ¢wneoconsumidor.¡ü
O processo de relacionamento, vantagens e desvantagens e o neoconsumidor
Temos visto surgir varias comunidades que reunem pessoas na internet, na verdade, estamos falando das redes sociais, que vem se multiplicando na mesma velocidade da convergencia cibernetica que avanca pelo mundo. O twitter esta entre as redes sociais que mais se destacam, pois sua facilidade de acesso de qualquer lugar faz com que a maioria dos acontecimentos seja anunciada primeiro no microblog e o fato de usar mensagens curtas faz com que a mesma seja transmitida e retransmitida rapidamente, nesse sentido Thompson (2002, p. 184) afirma que, ¢wO desenvolvimento da mídia aumentou a capacidade dos indivíduos experimentarem, atraves da quase-interacao mediada, fenomenos que dificilmente poderiam encontrar na rotina ordinaria de suas vidas,¡ü desta forma, aclaramos a ideia de que vivemos entre a comunicação de maneira geral, bem como as mediacoes virtuais as quais somos pertencentes.
O atual profissional da comunicação empresarial deve esta preparado para enfrentar os desafios de filtragem das informações advindas da internet, fazendo que tais informações cheguem aos setores competentes, bem como aos internautas, trata-se na verdade, de uma readaptacao aos novos tempos, pois este cenário constitui-se em passagem entre as tradicionais mídias e a recem chegada cibercultura. Diante desse contexto e interessante apontarmos para algumas vantagens da rede como ferramenta de relacionamento com os internautas:
Uma inversao dos modelos tradicionais na comunicação empresarial que tinha como base um direcionamento emissor-receptor para um modelo dialetico e mais horizontal;
 A comunicação a distancia facilita a possibilidade de respostas, as reivindicacoes que antes estavam foram do alcance empresarial provocando alteracoes em um contexto de invencoes, das tecnicas, no trabalho e nos relacionamentos.
Com a internet surgiu o prossumer, na verdade, qualquer individuo com um micro e uma conexao produz e consume informações, produtos, etc. trata-se de um formador de opinião em potencial e a interatividade permite um feedback mais imediato dos receptores da mensagem.
As empresas que adotam iniciativas de cunho colaborativo no exercicio da lideranca caminham para uma vantagem competitiva importante.
As redes sociais alem de colaborar no gerenciamento do conhecimento também auxiliam a interação mais informal entre as pessoas com isso os processos do conhecimento organizacional de fluxos acontecem de forma mais natural fazendo com que as pessoas executem suas acoes de modo proativo, mais inteligente e produtivo, gerando mais riquezas para as instituições.
Contudo, ha também alguns pontos negativos que merecem destaque, naturalmente o profissional de comunicação empresarial deve esta preparado para enfrenta-los, alguns citados abaixo, para Terra ( p.6):
Um dos grandes problemas para a comunicação empresarial ainda esta no acesso ainda restrito para uma consideravel parcela da populacao com perfil homogeneo, alem de uma grande desconfianca a respeito da seguranca na internet por parte da maioria das pessoas
A internet ainda não e sinonimo de alcance cem por cento, nesse sentindo ainda e impossivel substitui-la pelas mídias tradicionais, sem falar que o trabalho de internet e continuo, sobretudo nos aspectos de feeback com o consumidor.
Entretanto, e importante ressaltar que a rede representa um excelente caminho para aqueles que pretendem obter sucesso na comunicação empresarial com seus públicos, afinal, a web apresenta formas interessantes de produção, comercializacao, como também uma segmentacao interagindo com os mais diversos públicos, ou seja, sem duvidas, e um meio que pode potencializar relacionamentos, nesse sentido Castells(2004, p.256) afirma que, ¢wisso significa que a internet e ¡V e será mais ainda mais ¡V o meio de comunicação e de relacao essencial sobre o qual se baseia a nova forma de sociedade que já vivemos ¡V aquela que eu chamo de sociedade em Rede. ¡ü
Estamos em novos tempos, mais precisamente na Era da Informacao, na Era do neoconsumidor, num instante em que a comunicação e as trocas de experiencia ganharam seu espaço e tornaram-se diferencial no mundo dos negócios. Nos idos anos setenta e oitenta as informações partiam dos grandes grupos de Empresas para a sociedade, era a chamada comunicação de massa, hoje em dia ocorre também o contrario, a comunicação parte das massas para a própria massa por meio de uma rede incontrolavel de computadores e a empresa que quiser um lugar perto dos seus consumidores devem esta atenta a esse fenomeno revolucionario, chamado internet.
¢w O resultado concreto da articulacao existente entre o modo de produção capitalista e as tecnologias de comunicação e informação: uma sinergia que alimenta a acumulacao de capital financeiro numa economia de interconxoes eletronicas.¡ü (Moraes, 2004, p.189)
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As empresas de forma geral, num futuro próximo, vao aderir a tendência croundsorcing na qual seu processo de inovação torna-se aberto aos consumidores o que seria uma tentativa de se manterem ativas. A internet e um novo paradigma que constituem em sua essência uma nova base de trabalho, negociacoes e de iteratividade com o consumidor, conforme afima Moraes (2004) na citacao acima.
Consideracoes finais
A sociedade midiatizada do século XXI esta em posicao bem mais privilegiada que as de outras epocas, na verdade nunca tivemos tanto acesso as informações das mais variadas procedencias e a medida que ha expansão da internet, bem como o acesso as novas tecnologias pelas classes menos favorecidas aumenta a tendência groundswell e diminue os espacos das empresas abrindo espaço para um cenário mercadológico mais democrático.
As novas tecnologias e as redes sociais cibernéticas chegaram para ficar e com elas o consumidor se depara com novas possibilidades comportamentais nesta nova configuracao do relacionamento entre os públicos e dos públicos com as Organizações. A comunicação de massa passa a ser algo questionavel e compreender cada vez mais o sentido de segmentacao mercadológica passa a ser prioridade para quem quer permanecer ativo no mercado.
Por fim, esse ponto de vista visa mostrar que a comunicação empresarial deve buscar novos horizontes, pois as formas de pensar e agir estrategicamente nas empresas exigindo das mesmas repensar os fluxos de comunicação, sem esquecer das mídias tradicionais, mas levando a Internet como parte integrante de um processo irreversivel de crescimento.
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REFERENCIAS
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CARVALHO, Cintia e MONTARDO, Sandra Portella. Reputacao e Web Semantica: estudo comparativo de buscas aplicados aos blogs. Disponivel em: http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/viewFile/210/172. acesso em 25/04/2010.
LAFUENTE, Florencia. Oraculos e o que revelam. HSM Management, Sao Paulo, n.78, jan-fevereiro de 2010.
LEVY, Pierre. A Inteligencia Coletiva. Sao Paulo: Loyola, 1998.
______. Cibercultura. Sao Paulo: Ed. 34, 1999.
LINDSTROM, Martin. A logica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos ¡X Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
LI, Charlene. E BERNOFF, Josh. Fenomenos sociais nos negócios: venca em um mundo transformado pelas redes sociais ¡V Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
MORAES, Denis de. O capital da mídia na logica da globalizacao. In: MORAES, Denis de. (org.) Por uma outra comunicação. 2a Ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.
TERRA, Carolina. As relações publicas e as novas tecnologias de informação e de comunicação. Disponivel em: http://www.eca.usp.br/caligrama/n_2/9%20CarolinaTerra.pdf. Acesso em 25/04/2010.
THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 4a Edicao.
Petropolis: Editora Vozes, 2002.